
Estou acordado, não consigo dormir, penso em como nossa vida é estranha, e às vezes não faz muito sentido, tento racionalizar, sou racional, inteligente, mas tudo me parece um tanto irracional, incoerente...
Bebo, não para dormir, mas para, talvez, anestesiar a ânsia de entender.
Mas entender o que? Para que? Para quem?
Não sou mais assim tão jovem, não tenho tanto tempo, o tempo me tem cada dia mais e mais.
Olho para o lado. Vejo toda a sensatez sem sentido, toda a logica e sua inconsistência.
Olho para as pessoas. Vejo elas cinzas e duras, caminhando, vejo que a cor já não faz mais parte de nos.
Então, antes de dormir, fecho os olhos, e deixo me guiar, não pela mente, não pela solidão, não pelo vazio.
Alguma coisa me leva ate o mar, estou em cima de uma pedra, nu, seguro meus joelhos, e como uma criança assustada eu observo toda a imensidão de questões duvidas e imposições, observo, não grito não choro, só observo.
preciso dormir e esperar um novo amanha.
Sou cinza. Sou duro.
Não posso chorar, não posso gritar.
Não tenho tempo. E o tempo é tudo que tenho.
Só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo.
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