José nunca quis ir de verdade.
Não quis ir quando criança, com o pai quando este largou sua mãe.
Não quis ir quando jovem, quando a juventude corria aos bandos para a capital, atrás de oportunidades e sonhos.
Não quis ir quando adulto, casar com Miriam que desejará com ele construir família e uma vida nova.
José nunca quis ir de verdade...
Ficou lá, toda a vida, na pequena cidade, no pequeno barraco, sentado à janela da pequena vida que ofereceu para si.
Mas um dia, José se foi, a galope, montado num infarto fulminante.
Partiu José, sem mesmo saber que ia.
A morte é sábia, sabia desde sempre que se desse uma chance a José, José não iria.
... Ainda assim, contam alguns que, ao ocaso no velho alpendre do velho barraco, ainda se pode ver José picando fumo para pitar longamente.
É verdade! José nunca quis ir...

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